Acabou a Luz! Supercomputador brasileiro é desligado por falta de dinheiro.

Imagine que sua empresa criou um projeto para atualizar uma linha de produtos. Você cuidou do projeto, entregou o mesmo no prazo, custo e escopo acordado com o cliente. Todos ficaram satisfeitos com seu trabalho. Meses depois fica sabendo que os produtos que ajudou a criar não venderam o esperado.

Como você se sente? Durante o projeto você realizou ações para garantir que o mesmo tivesse sucesso após o término ou apenas conduziu o projeto como manda o figurino? Você se preocupa com o que vai acontecer após o término do projeto 1, 2, 5 anos depois?

Em agosto de 2015 iniciava-se o funcionamento de um novo supercomputador no Brasil, chamado de Santos Dumont. Naquela época já se sabia que seu custo mensal, só em energia, girava em torno de R$450.000,00 por mês. Isso que durante sua fase de desenvolvimento recebeu um corte de quase 50% no orçamento, sendo projetado com uma capacidade menor porém capaz de aumentá-la no futuro em 40%.

Antes dele muitos que tinham projetos que precisavam de super-processamento tinham que fazer acordos no exterior ou até mesmo modificar seus projetos para serem processados nos supercomputadores de menor capacidade. Já foi inaugurado na lista dos 500 mais potentes do mundo, sendo o mais potente de toda a América Latina!

E hoje ele foi desligado… por falta de dinheiro! Menos de 1 ano depois!

Onde foi o erro? Na condução do projeto ou no local (Brasil) onde ele foi feito?

China: Novo supercomputador chinês é o mais rápido do mundo
EUA: EUA quer superar China até 2018 com supercomputador de 200-petaflops

“Ah mas você está comparando o Brasil com países de 1º Mundo”!

Bom, você sabia que o 10º supercomputador mais rápido do mundo é da Arábia Saudita, país também classificado de terceiro mundo?

“Ah, mas a culpa é da Dilma/Temer/Bolsonaro/Tiririca”.

Quando um projeto dá errado, é fácil querer culpar meia dúzia (geralmente os gestores). Mas qual será que realmente foi o problema?

Ignorando problemas éticos como compra de licenças, desvio de verba, propina, entre outros, podemos dizer que certamente ele não foi bem planejado. Será que existia demanda para um supercomputador que consome R$500.000,00 por mês só de energia? Se existisse, os próprios clientes estariam pagando esta conta.

Será que os envolvidos no projeto estavam realmente alinhados com as expectativas das partes interessadas ?  Foi feito um estudo de viabilidade, pesquisa de mercado, visita à supercomputadores de outros países?

Foi feita uma gestão de risco adequada? Será que alguém calculou o ROI (Retorno sobre o Investimento) deste projeto? Usaram fórmulas simples para tentar prever o cenário daqui 6 meses, 1 ou 2 anos? Não levou nem 1 ano para ele ser desligado por um custo praticamente igual ao da inauguração! Será que no planejamento do projeto já não viram que o consumo seria de quase R$500.000,00 por mês e que teríam que resolver isso de alguma forma?

E os seus projetos? Já passou por algum que teve sua ‘luz cortada’ pouco tempo depois?

Essa notícia poderia render uns 30 ou 300 artigos. Mas deixo para vocês responderem. O que acham que deu errado no projeto? Qual a opinião de vocês sobre o assunto? Já passaram por algo parecido em seus projetos? Já pediram pra você criar um supercomputador mas fornecendo recursos apenas para ter um ábaco? Você se preocupa com o que vai acontecer depois que o projeto não estiver mais em suas mãos?

Abraços e obrigado pela leitura!