Praticando a inovação através do Vujá Dè

Já ouviu falar de “Vujá Dè“? Acredito que todos já devem ter ouvido falar de “Déjà Vu”. É quando temos a sensação estranha de que estamos vivendo ou fazendo algo que já fizemos antes. Quem aqui não se lembra do filme “Matrix” e a clássica cena do gato preto que aparece 2 vezes para o Neo?

Leve isso agora para sua profissão. Você já parou pra pensar quantas vezes você faz a mesma coisa, todos os dias? Quantas decisões você tomou considerando apenas os acontecimentos óbvios, triviais?

Precisamos buscar no nosso trabalho, na condução dos nossos projetos, justamente o oposto. Quando estamos passando pela mesma situação várias vezes, temos que sentir como se fosse a primeira vez. Estou falando de “Vujá Dè”.

Vujá Dè e a Gestão de Projetos

É comum quando gerenciamos um projeto lidarmos com situações repetitivas da mesma forma. O material não era de qualidade? Trocamos de fornecedor. Eles costumam atrasar a entrega? Pagamos então o frete mais rápido. A equipe está indo bem ou mal? Faça um feedback positivo/negativo. Um risco costuma ocorrer repetidas vezes em projetos diferentes? Planejamos e executamos uma resposta igual todas as vezes.

Precisamos olhar para os acontecimentos repetitivos como se eles estivessem acontecendo pela primeira vez. Precisamos nos questionar, nos perguntar porque estamos fazendo daquele jeito ou de outro.

Já se perguntou por que determinado processo na sua empresa é daquele jeito? Quem o criou? Por que é feito daquela maneira? Você faz porque é importante ou porque todo mundo faz?

Como nascem os paradigmas

Cientistas colocaram 5 macacos em uma gaiola, além de um cacho de banana no alto de uma escada. Quando um macaco subia a escada e pegava uma banana, os outros recebiam um banho. Com o tempo, os macacos começaram a bater naqueles que tentavam subir nas escadas. Após isso, os cientistas foram substituindo os macacos, um a um, deixando também de dar um banho nos macacos. No fim, todos os macacos foram trocados, não ficando nenhum macaco original, porém o comportamento de bater em quem subia a escada continuou, mesmo que eles nunca tenham tomado um banho sequer.

Existe até uma animação famosa e antiga que ilustra isso:

As vezes precisamos questionar porque as coisas são como elas são, ao invés de apenas fazer como outros disseram para fazer.

Vujá Dè e a Inovação

Para inovar não precisamos necessariamente pensar em algo completamente novo. Precisamos ver as mesmas coisas porém de outra maneira. É ai que entra o Vujá Dè, ajudando sua equipe a pensar de maneira diferente para os problemas cotidianos. Tente ver o mundo com outros olhos!

Você já parou para pensar por que, ao sair de uma sala de cinema, não tem ninguém vendendo CDs de música? Por que será que as pessoas continuam usando relógio de pulso se os seus celulares marcam as horas de maneira bem melhor e sincronizada? Quando você faz uma ligação para alguém e ela não atende, você é direcionado para a ‘caixa postal’ e pode deixar um recado. Por que você não pode fazer o mesmo quando visita alguém, toca a campainha e ninguém atende?

Comece a fazer perguntas no estilo “Vujá Dè” e você perceberá diversas oportunidades nas situações mais comuns a sua volta. Não pergunte-se “Por que?” mas sim “Por que não?”

Mas como aplicar o Vujá Dè na Gestão de Projetos?

Você ficará contente em saber que não há nada de novo para isso! Você pode aplicar técnicas conhecidas como:

  • “5 Por quês” (5-Whys): Consiste em perguntar sobre um determinado assunto, problema ou idéia 5 vezes “por quê?” com o objetivo de encontrar a causa raiz do problema ou chegar no produto real ou o MVP.
  • 5W1H: É uma técnica bem conhecida da área de qualidade onde precisamos fazer 6 questões básicas com o objetivo de recebermos uma resposta clara e objetiva. What: O que?; When: Quando?; Who: Quem?; Why: Por que?; Where: Onde?; How: Como?;
  • Brainstorming, design thinking, Delphi, entre outras. 

Ao invés de começar todos os projetos da mesma forma, pare e repense a forma como é feita. Discuta, crie, revise. Não olhe para todos os projetos da mesma forma e não tente criar padrões para facilitar o seu trabalho.

Os métodos ágeis são ótimos para projetos inovadores pois você está em um cenário de muitas incertezas, altos riscos com altas possibilidades de ganhos. Os erros em estimativas são comuns em projetos inovadores e os modelos ágeis permitem maior colaboração com o cliente e tomada de decisões mais rápidas, diminuindo inclusive o tempo que um produto pode ir ao mercado.

 

Está começando um projeto agora ou enfrentando problemas repetitivos? A solução para eles pode estar bem na sua frente mas você não consegue ver por estar focado nas mesmas respostas de sempre. Pratique o “Vujà dé” e mude sua forma de lidar com estes problemas.

 

Referências: 

The power of vuja de
nthropologists in Pursuit of ‘Vuja De’
Sem Perder o Tino – PM Network