Meu projeto virou um Bonsai, e agora?

A maioria das pessoas quando começam o dia, gostam de encontrar suas coisas nos mesmos lugares. Realizam as mesmas atividades matinais, todos os dias. Criam um padrão, um projeto, um modelo, uma rotina para cumprir todos os dias. É mais confortável, seguro e, na maioria dos casos, passa a sensação de ser mais produtivo.

Assim também são os pais e mães. Projetam em seus filhos sonhos, profissões, perfis e personalidades. Colocam ao redor dos filhos diversos elementos para tentar moldá-los pois acham que assim darão um futuro melhor para cada um deles.

Quer fazer com que gostem de livros? É só comprar diversos livros para eles. Quer que gostem de futebol, sertanejo, rock, comida japonesa? Basta cercá-los com as coisas que julgam corretas. Amarramos e podamos suas escolhas – mesmo que eles não percebam isso.

Você já deve ter visto um bonsai. Um bonsai nada mais é do que uma árvore criada através de manipulações, seguindo regras rígidas de podas controladas. Amarramos suas raízes e podamos seus galhos de forma que possam crescer como o dono quer. E são regras bem rígidas! Existem procedimentos sérios para que um bonsai possa ser considerado um verdadeiro bonsai.

Projeto Bonsai MaçaUma macieira que perdeu toda sua eficiência ao ser transformada em um bonsai

A gestão ‘bonsai’ de projetos

O mesmo acontece com muitos gerentes de projetos. Trabalham em organizações ou fazem parte de PMOs que criaram um modelo, um padrão a ser seguido. Cometem o erro de adaptar as práticas de mercado para, supostamente, criar um modelo de gestão de projetos mais eficiente, porém não atualizado na mesma velocidade das próprias práticas em que se basearam.

Ao começarem um projeto, tentam fazer um planejamento muito completo e profundo, tentando prever todos os prováveis caminhos que o projeto vai seguir. Querem por ordem no caos – muitas vezes criando um caos. Tudo isso na expectativa de terem o projeto em suas mãos sem nenhuma surpresa.

Mas será que ao fazermos isso não estamos apenas limitando o potencial da equipe e do projeto? Estamos mesmo explorando o potencial da nossa equipe para que pensem por si só ou apenas empurrando para todos um ou vários procedimentos que foram definidos por uma minoria?

Não se trata de deixar o projeto seguir sozinho, sem cuidados, mas sim ajudá-lo a alcançar todo o seu potencial. Você quer apenas frutos como todos os outros ou quer que seu projeto resulte em frutos excelentes, de qualidade? Não prefere que seu projeto seja apreciado pelo mercado, concorrentes e, acima de tudo, pela sua própria equipe?

E quanto a sua organização? Como comentado neste artigo do Davi Gabriel da Silva, muitas organizações também tem esta cultura de ambiente totalmente controlado. Será que você não está limitando os seus profissionais, desperdiçando talentos e perdendo oportunidades diárias de sucesso?

Projeto Bonsai MorrendoSerá que sua equipe não está como estes bonsais, ‘morrendo’ na sua empresa?

Não crie um modelo de projeto

Você já deve estar pensando que o problema está nos modelos de gestão tradicional, como pmbok. Mas não, isso não é exclusivo de modelos ‘cascata’. Você encontra profissionais querendo controlar todo o ambiente também em modelos ágeis.

São aqueles que criam longos backlogs, não conseguem priorizar o que é realmente importante ao projeto. Acham que tudo fazem parte do MVP ou querem agradar o cliente gerando um monte de entregas de um monte de coisa sem integração.

Um erro comum em muitas organizações, até as grandes e famosas é criar o tal “Metodologia de Projetos da empresa XYZ”. Pegam diversos conceitos, adaptam, ajustam e tornam o ‘padrão de pensamento’ que todos devem seguir. Conheço empresas onde mesmo profissionais experientes precisam passar um tempo em treinamento para entender esta metodologia integrada.

Não pense que fizeram isso com intenções ruins. Criam modelos personalizados justamente visando melhorar a gestão dos projetos mas se esquecem que a comunidade evolui mais rápido que um procedimento. Você possui hoje grupos como o Agilidade.org onde centenas de profissionais discutem diariamente os métodos tradicionais e ágeis em prol de melhores formas de entregar valor ao cliente.

Quantas vezes na sua empresa, aquela que possui um procedimento para gestão de projetos, discute o procedimento para melhorá-lo? Aliás, acho que a pergunta correta é:

Quantas vezes alguém da sua equipe quis fazer uma melhoria ou mudança e você ou sua organização não aceitaram?

projeto_arvore_livreDeixe sua equipe contribuir. Deixe que sejam árvores livres!

Conclusões

Poderia falar sobre técnicas de planejamento sucessivo, comparar métodos ágeis com tradicionais, ou até mesmo falar de modelos híbridos, mas a ideia não é essa.

Meu objetivo é que você tenha uma reflexão sobre seu projeto. Você se permite ver as opções conforme o tempo avança? Trabalha em conjunto com sua equipe para lidar com os riscos e mudanças do projeto?

Reflita o quanto sua equipe é livre para criar, inovar e melhorar. Guie sua equipe mas como mentor, não como instrutor, general ou ditador. Compartilhe sua experiência mas sem limitar as ações da sua equipe.

Permita-se ser livre. Crie, compartilhe e deixe que criem com você. Quebre suas amarras e remova suas limitações.

 

Não seja um bonsai.

 

Referências:

Target Teal