Seu sucesso pode estar na sua gaveta!

Nesta semana o Google relançou um produto antigo, descontinuado, como se fosse um novo produto – e poucos perceberam isso. E você? Será que não tem nenhum projeto ou produto de sucesso na gaveta? Confira neste artigo – e na sua gaveta – como algo que não funcionou antes pode se tornar um sucesso anos depois.

Google e Sucesso

É fácil falar em sucesso e Google na mesma frase mas, como muitas empresas, começaram do nada e, sem fórmulas mágicas que muitos tentam criar, conseguiram um patrimônio de $580 bilhões de dólares.

Conhecida por produtos inovadores – e também alguns fracassos – nos surpreendeu com um lançamento que, nada mais é, de um produto que falhou 8 anos atrás. Estou falando do Google Latitude. Lembra dele?

Google Latitude – O que era?

Lançado em 2009, era um aplicativo para compartilhar sua localização – se você permitisse – com os seus amigos no Google Maps. Desta forma, ao se aproximar de um local, ele avisava se algum amigo estava por perto.

Google Latitude, em 2009.

Ele foi bem criticado por questões relacionadas à privacidade, onde argumentaram que o aplicativo representava um alto risco. Se as pessoas não estivessem completamente cientes que o aplicativo estava ativo, poderiam ser alvo de pessoas malignas. Na época o Google implementou uma função que avisava o usuário que ele estava ativo.

E o que foi lançado agora?

A preocupação com a privacidade não sumiu mas hoje, 8 anos depois, agimos de uma maneira bem diferente em relação à ela.

Veja que o mundo mudou bastante desde 2009, quando o Google experimentou este aplicativo. Estamos falando de 2 bilhões de pessoas que não saem do Facebook.

Outros milhões que usam estes braceletes e relógios que armazenam dados das suas atividades físicas. Várias outras milhões de pessoas controlam a localização dos seus filhos usando aplicativos diversos – e raramente param pra pensar onde tudo isso pode dar errado.

Esta atualização do Google Maps – chamada por enquanto de apenas “location-sharing feature” possui praticamente a mesma interface do Google Latitude, mesmo a tecnologia já tendo mudado muito desde então. Em 2009 a primeira versão do Google Latitude estava em celulares Blackberry.

Sucesso
O tal do “Google Maps location sharing”. Parecido com o antigo, não?

Produto certo na hora errada

Não é a primeira vez que uma empresa relança um produto controverso ou algo que não funcionou no passado, recebendo uma atenção bem maior do que na primeira vez. Ao contrário do que muitos “apple-fanáticos” pensam, não foi o Steve Jobs que inventou o tablet.

A primeira patente com funções semelhantes foi em 1915. Já em 1956, saiu a primeira publicação demonstrando o uso de escrita manual em um tablet ao invés de um teclado. Apareceu novamente no filme “Uma Odisséia no Espaço” em 1968. Tivemos os Palms, o AT&T EO, o Apple Newton e até um tablet da Microsoft

Tivemos versões da Nokia, vieram os netbooks e até mesmo um Macbook modificado para tablet – Modbook – para então, só em 2010, o iPad ser lançado e, de fato, popularizar o conceito de tablet e se tornar um sucesso.

Porém, sabemos que o primeiro protótipo do que viria ser o iPad foi criado lá em meados de 2002 – chamado apenas de mockup 035. Mas na época, ao invés de focarem no tablet, acharam melhor usar o aprendizado para desenvolver o que seria o iPhone, lançado em 2007.

Mockup 035, o iPad de 2002.
Mockup 035, o iPad de 2002.

 

Mas seria um sucesso se tivessem lançado o iPad em 2002? Será que teria tido o mesmo impacto? Provavelmente não. Seja por mercado, custo, disponibilidade de internet  – nada de 3g/4g em todos os lugares como é hoje – o iPad acabaria se tornando um fracasso. Você se lembra de como vivíamos em 2002?

Anos 2000, E-learning e Netflix

Lembro que quando estava na faculdade, um dos meus trabalhos foi desenvolver um sistema – que hoje chamaríamos de e-learning. Neste sistema, o professor teria uma tela especial para apresentar as aulas, compartilhando sua tela, se apresentando através da webcam e depois realizando avaliações online. Fizemos um protótipo usando o bom e velho Visual Basic 6. Tiramos uma boa nota mas ficamos apenas nisso, nem pensamos em lançar nada. Porque?

Na época – meados de 2002, 2003 – a internet não era tão popular. Ainda andávamos com disquetes no bolso e nem todos tinham webcam. Celular então, ainda era pra poucos. Internet Explorer dominava o mercado de navegadores e o Firefox sequer existia – só foi lançado em 2004. O conceito de  aplicação na nuvem nem era tão difundido assim – chegou no Brasil em 2002 –  tanto que, na época, nosso projeto foi em uma aplicação 100% desktop usando Visual Basic 6.

Internet Explorer com erro lá em 2002. É, nem tudo evoluiu. 🙂

Hoje temos milhões de sites e-learning, canais de aprendizado no youtube, portais como o Udemy onde você pode se cadastrar e fazer em minutos o que levamos alguns meses apenas para ter um protótipo precário.

Também tínhamos na época as locadoras de VHS. Você sabia que o Netflix começou em 1997? Porém a empresa trabalhava com um serviço de entrega de DVDs, levando até a casa das pessoas. O lançamento através de streaming só aconteceu 10 anos mais tarde, em 2007.

Porém não descontinuaram o serviço de entrega – em 2010 entregaram seu bilionésimo DVD. Teria sido um sucesso se tivessem feito o streaming ainda em 1997? Quem tinha banda larga em 1997? No Brasil, em 2005 mais da metade da população ainda usava internet discada!

Idéias boas na gaveta

Se você trabalha com desenvolvimento de produtos ou serviços, é provável que você tenha uma coleção deles na gaveta. Estudos, análises e protótipos de coisas que você achou que não funcionaria na época, ou até lançou mas foi um fracasso.

Não será talvez a hora de revisitar aquele seu trabalho do início da década? Será que ele se aplicaria hoje? Se até o Google faz isso, porque você não pode?

 

Ou será que você prefere deixar alguém lançar sua ideia primeiro?

Obrigado pela leitura e até o próximo artigo!