Teoria dos Jogos e o Case da Toyota vs. GM

A teoria dos jogos é uma ferramenta matemática que auxilia na escolha de decisões entre dois ou mais agentes, desenvolvida na década de 30 e aprimorada na década de 40, depois de ter sido publicado um livro chamado Theory of Games and Economic Behavior de  Oskar Morgenstern e John von Neumann (Wikipedia)

Esta teoria é ensinada nos cursos de graduação de Administração, e pós-graduação, MBA, etc. Geralmente, para melhor entendimento da teoria dos jogos no campo dos negócios, é introduzido o “Dilema do prisioneiro”, onde dois homens são presos em celas separadas, e cada um tem uma opção de assumir a culpa ou a inocência, e em cada opção há um tipo de pena ou absolvição.

O enunciado clássico do dilema do prisioneiro, acima exposto, pode resumir-se, do ponto de vista individual de um dos prisioneiros, na seguinte tabela (tabela de ganhos):

  Prisioneiro “B” nega Prisioneiro “B” delata
Prisioneiro “A” nega Ambos são condenados a 6 meses “A” é condenado a 10 anos; “B” sai livre
Prisioneiro “A” delata “A” sai livre; “B” é condenado a 10 anos Ambos são condenados a 5 anos

Fonte: Wikipedia, 2015

Cada prisioneiro (A e B) tem a chance de negar ou delatar o crime, porém sabendo que o parceiro também pode tomar essa decisão, o que implicaria em resultados diferentes. No campo dos negócios, esta teoria é bem realista pois impõe a participação do terceiro no jogo (no caso, concorrentes por exemplo), onde os mesmos possuem opções de estratégia onde diversos resultados podem aparecer.

A Teoria dos Jogos é uma ferramenta bem prática e eficiente nas empresas para elaboração de estratégias e tomada de decisão com diversas variáveis.

Para Bradenburger e Nalebuff, os negócios são jogos com altas apostas, e assim como entre os militares e esportistas, são cheios de expressões emprestadas e algumas bem mal interpretadas.

“Ao contrário da guerra e dos esportes, os negócios não são sobre quem vence e quem perde. Também não é sobre o quão bem você jogue o jogo. Empresas podem ser espetacularmente bem sucedidas sem que as outras falhem. E podem falhar miseravelmente não importa quão bem eles jogam se eles cometem o erro de jogar o jogo errado.” (Bradenburger et Nalebuff, 2000)

 

Como aplicar a teoria dos jogos no mundo dos negócios?

Para compreender a importância desta ferramenta de forma prática, utilizei a reportagem da CNN sobre a Toyota apoiar declaradamente ajuda financeira do governo dos EUA para a GM. Este caso é um caso de utilização da teoria dos jogos, onde, baseado em todo o cenário, a Toyota optou pela opção que fosse de menor risco para ela, e implicou diretamente em “salvar” seu concorrente forte.

A princípio, comumente associamos que para “ganhar” o mercado, os concorrentes precisam “perder”.  Porém, somente com o pensamento estratégico da teoria dos jogos, é fácil observar como Bradenburger e Nalebuff estavam corretos quando disseram que “ganhar” e “perder” são relativos no mundo dos negócios.

A Toyota percebeu que ver um dos seus principais concorrentes falindo, resultaria em diversos prejuízos para a mesma:

– Indústrias automobilísticas compartilham de mesmos fornecedores de peças, que são vitais para os seus negócios. Quando a indústria de auto peça, assim como qualquer outra, fabrica lotes maiores, consegue melhores preços, sendo assim, o interesse da Toyota é que “como a maioria das peças em um automóvel tem apenas um único fornecedor, as interrupções na produção serão severas e prolongadas. Pode levar meses para a Toyota superar isso e voltar à produção normal”.

– Os comerciantes vendem tanto marcas americanas quanto importadas, e um fracasso de fabricantes de automóveis nos EUA poderia ser bem danoso para a rede de concessionárias dos fabricantes no exterior e suas vendas. Além do mais, haveria um perigo para toda economia americana, que impactaria diretamente na venda de automóveis importados.

-A Toyota teme que com a quebra dessas indústrias automobilísticas, abra espaço para empresas indianas e chinesas comprarem estas empresas, e criarem um mercado novo de concorrentes de baixo custo nos EUA, prejudicando ainda mais suas vendas.  Na verdade, há duas empresas, uma chinesa e outra indiana, que já possuem potencial para isso.

Conclusão

A teoria dos jogos tem grande aplicação prática, e induz às empresas a pensarem de forma mais racional quando há necessidade de formar estratégicas e tomar decisões críticas. Não necessariamente deve-se seguir o “senso comum” de mercado.

 

Referências

https://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_dos_jogos

https://pt.wikipedia.org/wiki/Dilema_do_prisioneiro

http://money.cnn.com/2008/12/15/news/companies/overseas_automakers/?postversion=2008121517

http://faculty.som.yale.edu/barrynalebuff/rightgame_hbr1995.pdf